14 de maio de 2025
Por NSC Total
A rodovia federal que teve mais mortes causadas por acidentes em Santa Catarina nos primeiros três meses de 2025 foi a BR-101, de acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Ao todo, foram 25 mortes em 987 sinistros de trânsito na rodovia.
Junto da BR-101 as BRs 470 e 282, com 22 e 15 mortes, respectivamente, aparecem no topo da lista das rodovias federais mais “mortais” do Estado. De acordo com Alexandre Castilho, da equipe de comunicação da PRF SC, as três rodovias possuem o maior volume médio diário de veículos em circulação no Estado.
Considerado um dos principais corredores logísticos de Santa Catarina, a BR-470 conecta as regiões Oeste e Meio-Oeste ao litoral Norte, onde estão os portos de Itajaí e Navegantes, além do Aeroporto de Navegantes. A rodovia é a rota para o transporte de produtos de exportação e importação, incluindo matérias-primas, grãos, carnes, madeira, móveis, produtos das indústrias metalmecânica e têxtil, fundamentais para a economia catarinense. Além de ser um importante trajeto para o transporte de cargas, a rodovia dá acesso a diversos atrativos turísticos da região da Foz do Rio Itajaí-Açu e do Vale do Itajaí, como parques temáticos, festas típicas, praias e eventos corporativos.
Também entre as principais rodovias do Estado, a BR-282 cruza SC de leste a oeste em uma extensão de mais de 600 quilômetros. A rodovia é utilizada para transporte de cargas e deslocamento de pessoas, conectando a Grande Florianópolis à serra catarinense e ao Oeste do estado. É por meio dela que passa a produção de milho, cebola, alho e leite, além de ser o acesso para turismo em Lages, São Joaquim, Urubici e Rancho Queimado.
— O maior risco nas BRs 282 e 470 está na falta de duplicação. Como são pistas simples na maior parte do traçado, isso favorece as colisões frontais, que são o tipo de acidente com mais mortes e feridos graves — diz Castilho.
Já a BR-101, marcada pelas filas quilométricas, possui uma extensão de pouco mais de 460 quilômetros no litoral do Estado. O traçado contempla 32 cidades catarinenses, de Garuva, no limite norte da divisa com o Paraná, até Passo de Torres, no limite sul com o Rio Grande do Sul. Importante corredor para o turismo e economia em Santa Catarina, a rodovia liga diversas cidades entre as mais ricas e mais visitadas do Estado, como Florianópolis, Balneário Camboriú, Itajaí e Joinville.
— Na BR-101, há uma mistura perigosa entre o tráfego urbano e o rodoviário. As cidades acabaram transformando a rodovia em uma espécie de avenida. Muita gente usa a rodovia para trajetos curtos, como entregadores de moto, mães levando filhos à escola, trabalhadores se deslocando entre bairros. São milhares de veículos todos os dias, muitas vezes por falta de alternativas de mobilidade urbana. O problema é que, ao mesmo tempo, circulam por ali veículos em alta velocidade e carretas com até 70 toneladas — reflete o oficial da PRF.
Veja as rodovias mais “mortais” de SC até março de 2025
- BR-101: 25 mortes e 987 acidentes
- BR-470: 22 mortes e 246 acidentes
- BR-282: 15 mortes e 310 acidentes
- BR-280: 11 mortes e 220 acidentes
- BR-116: 6 mortes e 75 acidentes
- BR-480: 1 morte e 16 acidentes
- BR-163: 0 mortes e 21 acidentes
- BR-153: 0 mortes e 15 acidentes
- BR-158: 0 mortes e 6 acidentes
- BR-285: 0 mortes e 1 acidentes
Fonte: Serviço de Estatísticas da PRF em Santa Catarina
No trânsito, a vida vem em primeiro lugar
Entre os acidentes com mortes nas BRs 470 e 282, o principal tipo de acidente é a colisão frontal. A PRF explica que trabalha para evitar cada tipo de acidente de uma forma diferente, além da fiscalização, educação, tecnologia e articulação com outros órgãos.
— Na BR-101, por exemplo, o foco é o controle de velocidade. Nas BRs 282 e 470, a prioridade é evitar as colisões frontais, com operações específicas e reforço na sinalização dos trechos mais perigosos. A fiscalização de condutas de risco, como não usar o cinto de segurança, dirigir sob influência de álcool ou com excesso de peso, também é constante — explica Castilho.
A pesquisadora e especialista em Segurança do Trânsito, Marcia Pontes, aponta que um dos principais fatores de risco na rodovia são a autoconfiança do motorista e a falta de manutenção dos veículos.
— É importante que cada condutor entenda que trânsito é comportamento. Acidente é o que a gente não consegue prever. Rodar sem a manutenção em dia, acima da velocidade, dá para prever que não vai dar certo. O mais importante não é chegar rápido, é chegar vivo — afirma a especialista.
Entre as dicas da especialista para maior segurança no trânsito, estão verificar as luzes de segurança do veículo, verificar os documentos do condutor e do veículo, ter a manutenção preventiva do veículo em dia, ter os pneus em bom estado, planejar as rotas com antecedência, respeitar os limites de velocidade, manter a distância segura do veículo da frente, não ultrapassar em locais proibidos ou com pouca visibilidade e não disputar espaço na rodovia com caminhões.
*Errata: Entre janeiro e março de 2025, 80 pessoas morreram em acidentes nas rodovias federais de Santa Catarina. O NSC Total havia divulgado equivocadamente o ranking com 273 mortes por um erro da reportagem na extração de dados na base da PRF. Posteriormente, os dados foram atualizados em contato com a assessoria de comunicação da PRF SC. O ranking foi atualizado em 13/05 às 12h45min.
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