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Carro debaixo d'água: o que o seguro cobre nas enchentes do RS

Segundo dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), as enchentes de geraram 18,1 mil veículos ...



Geral
10 de abril de 2026

Por Isabela Zampiron | Seguro Catarinense
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Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul vivia a pior catástrofe ambiental de sua história com as enchentes que assolaram diversas cidades. Com isso, vários automóveis ficaram debaixo d’água e quem tinha o seguro certo foi amparado. Quem apostou no básico, ou no nada, ficou com o prejuízo.

Segundo dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), as enchentes de geraram 18,1 mil veículos sinistrados, com indenizações que somaram R$ 1,2 bilhão, o maior valor entre todos os segmentos analisados, superando inclusive os sinistros residenciais (29,8 mil casos, R$ 594 milhões).

De acordo com relatório da Superintendência de Seguros Privados (Susep), a sinistralidade nos seguros de danos saltou de 42,1% em abril para 66,1% em maio de 2024, uma alta de mais de 57% em um único mês. Só no Rio Grande do Sul, os sinistros diretos no segmento de danos totalizaram R$ 1,69 bilhão em maio, um crescimento de 192,5% em relação ao mês anterior.

O seu seguro de carro cobre enchente?

A resposta para essa pergunta incomoda tanto seguradoras quanto consumidores: depende do que foi contratado. E, na prática, muita gente descobre a resposta na pior hora possível.

Os seguros de automóvel no Brasil se dividem, basicamente, entre cobertura básica (que cobre apenas colisão, roubo e furto) e cobertura compreensiva ou ampla, que inclui os fenômenos da natureza. Mas mesmo dentro das coberturas compreensivas, há uma distinção técnica que poucos consumidores conhecem e que pode fazer toda a diferença na hora de acionar o seguro.

Daniela Zimmer, Head Comercial da Usebens Seguradora, explica: "De forma geral, inundação refere-se ao transbordamento de rios, lagos ou canais, que invade áreas normalmente secas com grande volume de água. Já o alagamento é o acúmulo temporário de água em vias públicas, geralmente causado por chuvas intensas associadas à deficiência de drenagem urbana."

Na prática, uma apólice com cobertura para alagamento pode não cobrir um segurado vítima de enchente e vice-versa. Por isso, Zimmer recomenda que o consumidor não enfrente esse labirinto contratual sozinho: "É fundamental que o consumidor conte com o apoio de um corretor de seguros, que é o profissional responsável por explicar claramente quais coberturas estão incluídas no produto contratado."

 

A armadilha do agravamento de risco

Mesmo quem tinha o seguro certo pode ter encontrado dificuldades. Uma das principais cláusulas invocadas pelas seguradoras para recusar indenizações é o chamado agravamento intencional de risco: se o motorista força a passagem por uma via sabidamente alagada, a seguradora pode considerar que houve imprudência e negar a cobertura.

Zimmer confirma a regra, mas contextualiza: "Nos dois casos, inundação ou alagamento, se o veículo estiver em um local atingido e a apólice contemplar esse tipo de evento, o dano pode ser indenizado. No entanto, quando o segurado força a passagem do veículo por uma rua alagada, ocasionando a parada súbita e total do carro dentro da água, essa situação normalmente não está coberta."

A recomendação geral é clara: em caso de alagamento iminente, desligue o veículo, não tente mover o carro e acione a assistência 24 horas da seguradora para remoção.

 

O abismo da cobertura: 90% sem proteção adequada

Se as perdas seguradas chegaram a R$ 6 bilhões, o prejuízo total estimado para o estado foi da ordem de R$ 100 bilhões, o que revela uma lacuna de cobertura brutal. Segundo dados da CNSeg apresentados no 2º Fórum IRB(P&D), realizado em agosto de 2024, cerca de 90% das famílias e dos pequenos negócios atingidos não estavam cobertos.

Mas há um sinal de virada. Para Zimmer, a tragédia provocou uma mudança real no comportamento do consumidor gaúcho: "Após os eventos climáticos recentes, os segurados estão muito mais atentos às coberturas relacionadas a enchentes, alagamentos e eventos climáticos extremos. Hoje, há uma clara preferência por produtos que ofereçam proteção específica para esse tipo de risco, o que demonstra maior consciência e amadurecimento na contratação do seguro."

 

O efeito nos preços: o seguro vai ficar mais caro no RS?

A catástrofe climática deixou marcas também na precificação do seguro automóvel. Segundo dados do Sistema de Estatísticas da Susep, a sinistralidade no seguro de veículos cresceu 29% no bimestre seguinte às enchentes, pressionando os prêmios para cima.

Uma das dúvidas mais frequentes dos motoristas é se morar em uma área de risco pode levar à recusa total da cobertura. Zimmer esclarece os limites dessa prática: "O CEP, por si só, não pode causar a recusa de cobertura por enchente no momento do sinistro, desde que o segurado esteja com o perfil corretamente preenchido e a apólice vigente contemple essa cobertura”.

No entanto, ela reconhece que o endereço tem peso antes da contratação: "O CEP pode influenciar previamente na aceitação do risco, na possibilidade de contratação da cobertura e também no agravamento do preço do seguro. Não existe uma regra única válida para todo o mercado: cada seguradora avalia o risco de forma independente."

Essa reavaliação de risco, segundo Zimmer, já está em curso em todo o setor e vai além de ajustes de tabela: "As mudanças climáticas e o aumento da frequência de eventos extremos exigem análises cada vez mais sofisticadas. A Usebens Seguradora, por exemplo, vem atuando fortemente com inteligência artificial e múltiplas bases de dados analíticas, buscando ser mais assertiva na prevenção de riscos, na precificação adequada e, principalmente, na eficiência do atendimento aos segurados, especialmente em regiões mais expostas a esses eventos”.





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