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Acidentes com cargas perigosas elevam pressão sobre transportadoras no Brasil

Alta nos acidentes envolvendo combustíveis, produtos químicos e materiais inflamáveis acende alerta no set ...



Geral
28 de maio de 2026

Por Mundo Seguro
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Os acidentes envolvendo transporte de cargas cresceram cerca de 4,7% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo levantamento das gerenciadoras BRK, Buonny e Opentech. O cenário acende um alerta especialmente para operações com combustíveis, produtos químicos e cargas inflamáveis, que possuem alto potencial de explosões, vazamentos e danos ambientais.

Um único acidente envolvendo cargas perigosas pode gerar prejuízos milionários, comprometer contratos e expor empresas a responsabilizações civis, ambientais e criminais. Mesmo assim, especialistas alertam que parte do setor logístico brasileiro ainda opera com falhas críticas de segurança.

Segundo João Paulo Barbosa, especialista em gestão de risco e sócio-diretor da Mundo Seguro, muitas empresas ainda tratam o transporte de cargas perigosas como uma operação comum, ignorando exigências técnicas e protocolos fundamentais de prevenção.

"Quando falamos em carga perigosa, qualquer falha operacional ganha uma dimensão muito maior. Um erro simples pode comprometer vidas, gerar impactos ambientais severos e causar prejuízos milionários para a empresa", afirma.

O tema ganhou ainda mais relevância em 2025, após o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) abolir o prazo geral de validade do Curso de Movimentação Operacional de Produtos Perigosos (MOPP), treinamento obrigatório para motoristas que atuam nesse tipo de transporte.

Para João Paulo Barbosa, a mudança reforça a necessidade de atualização contínua das equipes.

"Muitas empresas acreditam que apenas cumprir uma exigência documental resolve o problema, mas gestão de risco exige revisão de processos, treinamento contínuo e monitoramento permanente da operação", explica.

Além dos acidentes, empresas também enfrentam riscos jurídicos cada vez maiores. O transporte de produtos perigosos possui regulamentações específicas e o descumprimento das normas pode resultar em multas, processos administrativos e responsabilização civil e criminal.

Segundo João Paulo, o prejuízo costuma ir muito além da perda da carga. "Dependendo da ocorrência, a empresa pode enfrentar paralisações operacionais, quebra de contratos, danos reputacionais e aumento significativo dos custos logísticos. Muitas operações ainda trabalham com estrutura operacional defasada e seguros incompatíveis com o nível real de exposição", alerta.

Diante do aumento da fiscalização e da pressão operacional no setor, o especialista reforça que estruturar corretamente a operação deixou de ser apenas uma questão de eficiência e passou a ser uma estratégia essencial de proteção financeira.

"Em operações com cargas perigosas, o prejuízo de um único acidente pode comprometer anos de construção financeira e reputacional da empresa. Por isso, revisar apólices, estruturar a gestão de risco e investir em seguro deixou de ser custo e passou a ser proteção estratégica", finaliza João Paulo Barbosa.





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