3 de setembro de 2026
Por Eduarda Prawucki | Seguro Catarinense
A inteligência artificial já deixou de ser uma novidade para se tornar parte da rotina de empresas e profissionais. A questão, agora, não é mais apenas se o mercado deve utilizar a tecnologia, mas como incorporá-la ao trabalho de forma mais estratégica.
Essa foi uma das reflexões apresentadas durante o Startup Summit, realizado em Florianópolis, evento que reúne nomes do ecossistema de inovação, tecnologia e empreendedorismo da América Latina. Com a inteligência artificial como um dos principais temas da programação, uma das provocações apresentadas pelo futurista e estrategista de inovação Neil Redding, CEO da Redding Futures, chamou atenção: é preciso fazer a IA participar do trabalho.
Morador de Nova York, nos Estados Unidos, Neil atua como especialista em inovação. Durante sua palestra, ele propôs uma mudança na maneira como profissionais se relacionam com a inteligência artificial: em vez de enxergá-la apenas como uma ferramenta que recebe comandos e entrega respostas, a ideia é tratá-la como uma colaboradora inserida no processo.
Na prática, isso significa mudar de uma lógica baseada apenas em "prompt e resposta" para uma dinâmica de colaboração e construção conjunta. Assim como um profissional não daria uma tarefa a um colaborador sem explicar o contexto, os objetivos e as informações necessárias, a IA também pode receber mais elementos para participar de uma atividade de forma mais eficiente.
E o que isso tem a ver com o corretor de seguros?
Em vez de simplesmente pedir à IA para "escrever um e-mail para um cliente", por exemplo, o corretor de seguros pode contextualizar a situação: quem é o cliente, qual é seu perfil, qual produto está sendo apresentado, qual é o objetivo daquele contato e qual tom deve ser utilizado.
A diferença está justamente no nível de participação que se espera da inteligência artificial. Quanto mais contexto recebe, mais a IA pode contribuir não apenas para executar uma tarefa, mas para pensar junto sobre ela.
É uma mudança que também pode ser aplicada à produção de conteúdo, prospecção, organização da carteira, preparação de reuniões, análise de informações e comunicação com clientes.
A provocação apresentada no Startup Summit expõe a forma comum de utilização da inteligência artificial: abrir uma ferramenta, escrever um prompt genérico e esperar que ela entregue algo pronto.
Isso não significa deixar as decisões nas mãos da IA. Pelo contrário. A tecnologia passa a ocupar um espaço de apoio ao raciocínio e à execução, enquanto o profissional continua responsável pelo direcionamento, pela análise e pela decisão final.
No fim, a questão pode não ser mais "qual IA eu devo usar?", mas "como eu faço a IA trabalhar comigo?"
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