15 de setembro de 2026
Por Isabela Zampiron | Seguro Catarinense
Formado em Tecnologia da Informação e com seis anos de carreira na área, Jo Tanaka não imaginava que um convite de seu então sogro mudaria completamente seu rumo profissional. Gerente de uma filial da Companhia de Seguros América do Sul no Rio de Janeiro, o executivo precisava de alguém para tocar o seguro de vida e viu em Tanaka o perfil ideal, inclusive pela rede de contatos que o pai dele, bancário havia décadas, já havia construído na região. Foi assim que, em 1994, começou a trajetória de Tanaka no setor de seguros.
Natural de Mogi das Cruzes (SP), Tanaka é hoje responsável pela área de frotas na Apisul, corretora onde atua atualmente e que representa a quinta em sua carreira. Ao todo, já passou por cerca de dez seguradoras, além de assessorias e um período em MGA (Managing General Agent), modelo de negócio que ganhou força recentemente no mercado brasileiro.
Da técnica ao comercial
Os primeiros anos na Companhia de Seguros América do Sul renderam a Tanaka uma formação técnica ampla. Começou em automóveis, época em que o próprio técnico realizava a precificação e a inspeção dos veículos, e depois circulou por praticamente todas as áreas técnicas da seguradora: incêndio, condomínio, riscos diversos, transporte e marítimo, deixando de lado apenas o ramo de vidros.
Uma mudança da empresa para São Paulo, motivada por uma transferência para acompanhar a esposa, abriu as portas para a área comercial: a sucursal paulista carecia de um gerente com bagagem técnica, perfil que Tanaka reunia. Peça-chave nessa nova fase foi sua passagem pelo Japan Desk, departamento voltado ao atendimento de empresas japonesas, onde se especializou no segmento corporativo.
Duas pausas para estudar no Canadá
Ao longo da carreira, Tanaka identificou no domínio de idiomas uma barreira para sua evolução profissional. A resposta foi radical: vendeu o carro e partiu para um ano sabático na costa oeste do Canadá, onde estudou inglês por seis meses e chegou a obter a licença de corretor de seguros no país, atuando com pessoa física. Chegou a dividir a rotina entre uma corretora, no período da manhã e da tarde, e a loja Best Buy, à noite, vendendo câmeras, uma experiência que descreve como muito prazerosa e decisiva para o avanço no idioma.
De volta ao Brasil, assumiu a gerência de Vida no HSBC e, na sequência, passou pela HDI Seguros, onde teve contato com programas mundiais de seguros, um universo à parte dentro do segmento corporativo, que exige diálogo com equipes em diferentes países para a emissão da apólice local. Seguiu para a Marsh, uma das maiores corretoras do mundo, atuando com placement, e depois retornou ao lado das seguradoras, na Excel, posteriormente incorporada pela AXA.
Anos mais tarde, uma segunda temporada de estudos o levou de volta ao Canadá, dessa vez a Québec, para aprender francês. Sem tempo para trabalhar por conta do período integral das aulas, Tanaka voltou ao Brasil fluente também nesse idioma, o que se tornaria diferencial na retomada de seu trabalho na Excel, já que os maiores clientes da empresa demandavam esse perfil bilíngue.
Ficou na empresa até a pandemia, quando migrou para uma assessoria em São Paulo, atendendo diversos corretores. Um convite de um desses parceiros o manteve por cinco anos na função seguinte, ciclo que se encerrou recentemente com sua chegada à PU.
A vida em Porto Alegre
Radicado atualmente no bairro Sarandi, Tanaka avalia que o mercado de seguros gaúcho não difere tanto de outras regiões do país, mas nota uma concentração maior de negócios em poucas corretoras. Um desafio que considera comum a todo o setor, e não exclusivo de Porto Alegre, é a capacitação profissional: para ele, o modelo majoritariamente online prejudica a interação direta com o professor, elemento que considera essencial para a formação prática dos profissionais.
Da vida gaúcha, guarda um episódio simbólico de sua primeira semana na cidade: convidado para um churrasco em um dia frio e chuvoso, teve dificuldade em acender a churrasqueira, um contraste com trinta e dois anos vividos na Zona Sul de São Paulo. Hoje, o chimarrão já integra sua rotina.
Parcerias como ferramenta de capacitação
Na Apisul, Tanaka atua também na relação entre a corretora e parceiros que não têm estrutura própria para atender determinados ramos de seguro. Um corretor especializado em automóveis, por exemplo, pode recorrer à cotação, ao atendimento e à gestão de sinistros de contas de transporte, sem precisar montar uma operação própria para isso.
Para Tanaka, essa relação tem também um papel formativo: reproduz, na prática, uma lacuna que ele próprio viveu no início da carreira, quando tinha domínio de automóveis e residencial empresarial, mas nenhuma experiência em transporte. Hoje, defende que repassar esse conhecimento aos parceiros fortalece o mercado como um todo.
Essa visão também orientou sua passagem pela docência: professor da Escola Nacional de Seguros e da Universidade Presbiteriana Mackenzie entre 2013 e 2019 aproximadamente, descreve a experiência como parte de um projeto pessoal de disseminar conhecimento, não apenas acumulá-lo. Reconhece, porém, que parte dos corretores busca a formação apenas para obter a certificação da SUSEP, sem interesse mais aprofundado, um reflexo, segundo ele, da lógica comercial que movimenta o segmento de automóveis, ramo de fácil operação e retorno rápido em comissão.
Técnico e comercial: uma equação inseparável
Para Tanaka, não existe profissional técnico completo sem visão comercial, tampouco um bom comercial sem domínio técnico. É esse equilíbrio que permite explicar ao segurado, com clareza, por que determinada situação não tem cobertura e, quando possível, buscar uma solução alternativa junto ao cliente.
Depois de passar por seguradoras, corretoras, assistência 24 horas e praticamente todos os ramos do mercado, incluindo uma rápida passagem pela previdência, no Itaú, Tanaka resume o que carrega dessa trajetória: a possibilidade de unir conhecimento técnico e comercial para ajudar a encontrar soluções, e a disposição de "colocar o braço para executar junto" sempre que um parceiro precisa de ajuda.
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